Psiquiatra ou Psicólogo, será que eu estou louco?

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Todos nós passamos por estresse, tristeza, perdas, conflitos e às vezes fica a dúvida se devo ou não procurar um profissional especializado e qual procurar: o psicólogo ou o psiquiatra?

Existem algumas ideias popularizadas que prejudicam essa tomada de decisão, tais como: se o caso for grave é para o psiquiatra, psicólogos servem para dar conselhos, psiquiatras “dopam” as pessoas com remédios, psiquiatra e psicólogo são pra loucos, quem precisa disso é fraco, entre outras.

Então, o que deve ser considerado um problema que se beneficiaria de acompanhamento especializado? Será que uma pessoa que perde o colorido da vida, ou tem medo de situações corriqueiras, como avião ou altura, ou tem manias repetitivas precisam ser tratadas? Será que uma pessoa que muda de humor com frequência, ou não dorme bem por preocupar-se demais com tudo, ou tem compulsões por substâncias ou hábitos nocivos precisam de avaliação psicológica?

Esta resposta depende do grau de sofrimento e prejuízo nas atividades diárias. Se estes problemas passam a comprometer o rendimento profissional, os relacionamentos interpessoais ou a saúde como um todo por um determinado tempo, a resposta é sim.

Por exemplo, um indivíduo que se sente muito cansado, sem ânimo para desempenhar seus afazeres, irrita-se facilmente com tudo, perde o interesse por atividades que antes eram prazerosas, sente um desejo de se isolar, não consegue se concentrar ou fica mais esquecido, percebe alterações no apetite, no sono e até mesmo na libido, pode estar num quadro depressivo.

Outro exemplo frequente nos dias atuais são episódios de ansiedade em que a pessoa tem reações como sudorese, boca seca, formigamento nos membros, sensação de coração disparado e até de estar com algum problema grave de saúde. Estes são alguns sintomas de crise de pânico.

E muitas vezes, mesmo sem estes sinais citados anteriormente, nos vemos de maneira diferente de como gostaríamos, percebemos que as reações emocionais estão comprometendo nossa perspectiva de vida. Alguns sinais de alerta como viver situações de conflito frequentes, sentir as emoções a flor da pele, ter dificuldade em lidar com perdas ou mesmo quando uma pessoa próxima comenta que não estamos bem, pode indicar que ajuda profissional auxiliaria no controle disto.

Os especialistas mais conhecidos da área “psi” são o psicólogo e o psiquiatra. E qual a diferença entre esses profissionais? O psiquiatra forma-se médico e especializa-se em transtornos da mente, estando habilitado para prescrição de medicamentos no tratamento da doença mental. O psicólogo forma-se em psicologia e é especializado na ciência que estuda os processos mentais e o comportamento humano.

E quem procurar? Como saber se meu problema precisará de uso de remédios ou se terei que fazer o acompanhamento em psicoterapia? Essa é uma questão mais delicada. No entanto, qualquer um dos dois profissionais é preparado para fazer esta orientação. Ou seja, o psicólogo encaminha para o psiquiatra se perceber que há necessidade de intervenção medicamentosa e o psiquiatra também encaminhará ao psicólogo o paciente que se beneficiará de um tratamento psicoterápico.

Não existe regra, esta decisão geralmente é tomada baseada no perfil de cada indivíduo. Pessoas com tendência mais imediatista costumam inicialmente procurar o psiquiatra, outros com receio de uso de medicamentos, geralmente optam pelo psicólogo. Mas o essencial é entender que são trabalhos somatórios, as duas áreas juntas aumentam a possibilidade de resultados mais satisfatórios e sustentáveis, nos casos indicados.

Costumo dizer que para administrar bem uma empresa, é necessário conhecer o funcionamento dela, quanto mais informações eu tenho, mais fácil será para traçar estratégias de soluções. Com o ser humano acontece o mesmo, quanto mais eu me conheço, quanto mais eu identifico meus sentimentos e reações diante dos acontecimentos, mais fácil será para buscar novos comportamentos saudáveis. E este é o papel fundamental dos profissionais desta área, auxiliar o indivíduo no auto conhecimento.

Ninguém quer estar doente, principalmente se o problema for da parte emocional. Somos muito orientados a cuidar de nosso corpo: “olhe a pressão alta”, “dose o colesterol”, “cuidado com o peso”, mas muito pouco estimulados a cuidar da nossa saúde mental, mesmo sabendo que o comando do corpo está na cabeça!

Eu acredito que se cuidar como um todo nos faz pessoas melhores e mais felizes. Enfim, cuidemos da nossa saúde mental sem preconceito e com a mesma atenção que precisamos cuidar do nosso corpo, utilizando os profissionais que se especializaram no assunto sempre que necessário.

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