A ideia deste texto é conversar sobre os “mitos” que ouço frequentemente na prática clínica.

Apesar do desenvolvimento da medicina e da humanidade, infelizmente ainda nos deparamos com muito PRECONCEITO em relação à doença psiquiátrica. E percebo que o principal alvo da incompreensão e crítica são os remédios usados para o tratamento destes transtornos.

Então vamos esclarecer algumas dúvidas comuns sobre este tema para diminuir o preconceito e com isso melhorar a qualidade de vida das pessoas que necessitam de tratamento medicamentoso e dos que convivem com elas!

 

Medicamentos psiquiátricos são sempre controlados, por isso geram dependência?

A maioria dos remédios indicados pelos psiquiatras são controlados, ou seja, só são vendidos com receita assinada pelo médico. Isso já causa um certo receio, no entanto, qualquer antibiótico também tem essa restrição e não se ouve falar em pessoas “dependentes de antibióticos”, certo?

Ou seja, as medicações que podem gerar consequências significativas ao organismo senão forem devidamente acompanhadas pelo médico devem ser compradas com receita. Mas isso não quer dizer que geram dependência.

 

Como saber se uma medicação causa dependência?

As medicações que tem potencial para gerar dependência física são os famosos “tarja preta”, que são vendidos apenas com a receita azul ou amarela, aquelas parecidas com folha de cheque.

Mas lembrando que, não é porque eu vou usá-las que ficarei dependente. Em determinados casos são necessários o uso deste tipo de medicação por algum tempo, muitas vezes em doses baixas e isto não causa nenhum tipo de prejuízo.

A dependência está, normalmente, mais relacionada à pessoa que ao medicamento, trata-se mais de uma vulnerabilidade pessoal que uma imposição bioquímica.

Todo medicamento que chega ao público passa por um longo e rigoroso processo de estudo, e o médico, principalmente o especialista em psiquiatria tem o conhecimento necessário para indicar a prescrição correta. Já é sabido que os maiores prescritores dos tranquilizantes com este potencial de dependência é o clínico geral e não o psiquiatra.

 

04_medicamentosRemédios psiquiátricos dopam?

O tratamento em psiquiatria objetiva devolver o bem-estar ao paciente. Ou seja, o médico busca ao longo do tratamento que o paciente retome sua boa condição de vida, que torne a ser ativo em seu campo pessoal e profissional, sem ficar “dopado”.

De fato existem alguns medicamentos que podem causar sonolência, e se isso acontecer de forma que prejudique, fale com seu médico, pois o tratamento deverá ser revisto. A ideia é de que o paciente tenha um dia normal, com muita disposição para suas atividades.

 

O psiquiatra sempre prescreve remédios?

Nem sempre. Durante a consulta será avaliado detalhadamente os sintomas e incômodos, assim será possível saber qual o diagnóstico e avaliar a melhor conduta. Em alguns casos será feito apenas orientações ou indicado psicoterapia ou ainda medicações para uso esporádico.

Mas sabemos que o uso de medicamentos bem indicados é uma das formas mais seguras, fácil e confortável de tratamento.

 

Se eu tomar um remédio psiquiátrico, vou ter que tomar para sempre?

A medicação psiquiátrica, como qualquer outra, pode ser usada tanto para o tratamento de doenças pontuais, com cura breve, como doenças mais graves, que duram longo tempo.

É frequente na minha prática clínica dar alta aos pacientes depois de um certo tempo.

No entanto, quando o diagnóstico for de doença crônica, o uso do remédio também é feito a longo prazo a fim de garantir saúde e estabilidade. 

 

O que acontece se eu parar o tratamento antes da hora ou esquecer de tomar os remédios?

Todo tratamento é baseado na parceria médico-paciente, cada um tem papel importante nesse processo.

O médico tem o compromisso de avaliar cuidadosamente o diagnóstico e decidir a melhor conduta que se adequa a pessoa que o procura.

O paciente por sua vez deve discutir a conduta para que sejam esclarecidas todas as dúvidas e assim sentir-se mais confiante com o uso do medicamento.

Se essa parceria não funcionar, é muito comum que o paciente pare ou use a medicação diferente do prescrito. Assim, a probabilidade de que o tratamento dê errado ou se prolongue por mais tempo que o necessário é maior.

É comum pacientes pararem de tomar a medicação porque se sentem melhores ou “para fazer um teste”, e com isso aumentam a chance de apresentar recaídas e prejudicarem o tratamento.

Portanto estabeleça um canal estreito com seu médico, de forma que essa confiança se fortaleça, isso com certeza favorecerá a melhores resultados do seu tratamento.

 

Concluindo:
As medicações psiquiátricas são muito seguras e eficazes quando bem prescritas, ou seja baseadas num bom diagnóstico. Existem critérios bem definidos para as doses, tempo de duração de um tratamento e retirada dos mesmos. Estes critérios existem em todo o mundo e em geral são baseados em muitas pesquisas e na opinião de especialistas. As medicações psiquiátricas são uma das mais pesquisadas e eficazes em toda a medicina.