Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.”
William Shakespeare

 

A sensação de que “falta uma vitamina” ou de cansaço excessivo pode ser depressão?

Sim. A depressão é uma doença que chega aos poucos, algumas vezes é difícil delimitar o seu começo.

Quando passamos pela morte de um familiar, por uma separação afetiva, perda financeira ou problemas de saúde, naturalmente experimentamos reações de tristeza, desânimo, choro, entre outros. Com o passar do tempo o organismo vai aos poucos se normalizando.

A depressão é semelhante a estas reações, durando por mais tempo que o esperado, algumas vezes se arrastando por meses sem que necessariamente algo negativo tenha ocorrido.

Na prática, percebo que a queixa mais comum de quem se encontra neste estado é o desejo de uma “vitamina”, uma impressão de que o cérebro e o corpo não respondem de forma adequada, como em outros tempos. E de fato existe uma série de alterações que deixam o organismo com prejuízo global.

 

07_depressaoE como saber se eu tenho depressão?

Os sintomas mais marcantes são a tristeza e o desânimo a maior parte do tempo. Algumas pessoas não identificam a tristeza, mas percebem que vão perdendo a “graça” e o interesse em coisas que antes eram prazerosas. Principalmente para homens notamos esta alteração, eles deixam de lado hobbys, atividade física, sair com amigos, etc.

Além destas mudanças, devem estar presentes alguns dos sintomas listados abaixo:

  • Irritabilidade, coisas pequenas ficam mais difíceis de tolerar;
  • Desânimo, falta de vontade para qualquer coisa e sensação de cansaço constante;
  • Dificuldade de concentração, uma perda no rendimento, coisas que antes eram fáceis de se resolver ficam mais difíceis;
  • Perda de memória, o raciocínio fica prejudicado, esta queixa é muito comum;
  • Choro fácil, a sensibilidade aumenta, e as emoções ficam mais intensas, por isso é mais difícil controlar as lágrimas;
  • Pensamentos negativos, a tendência a ideias ruins, algumas vezes repetitivas;
  • Dores no corpo, é frequente ter mais dor de cabeça, nas articulações, no estômago, entre outros;
  • Autoestima baixa, a vaidade fica de lado, surgem pensamentos de menos valia;
  • Isolamento social, a pessoa evita contato com as outras, sente-se incomodada com isso, prefere ficar no seu canto;
  • Alteração de apetite, algumas perdem peso e outras aumentam, geralmente há mais desejo de alimentos doces;
  • Alteração de sono, o mais frequente é insônia, mas pode haver sonolência excessiva e uma inversão com muito sono de dia e insônia à noite;
  • Perda da libido, diminui o desejo sexual;
  • Em casos mais graves há uma perda de sentido na vida, culminando com desejo de morrer, que pode ser apenas uma vontade de que a vida terminasse para acabar aquela dor, ou ainda um planejamento suicida.

 

Enfim, para o diagnóstico de um quadro depressivo é necessária uma avaliação detalhada. Um especialista experiente no assunto é capaz de identificar qual o melhor tratamento.

 

Quais são as causas da depressão?

Não há uma causa única para a depressão. Ela é uma doença multifatorial, isto é, há fatores familiares (genéticos), ambientais, sociais, e da personalidade envolvidos.

Quem tem familiares com transtornos depressivos tem um risco maior de ter depressão. Mas isso não significa que quem tem vários parentes deprimidos obrigatoriamente vai ter depressão. Tampouco significa que quem não tem nenhuma história familiar de quadros depressivos na família esteja livre deste problema.

Algumas pessoas percebem que ficaram deprimidas em reação a alguma perda ou estresse muito grande que viveram. Mas, em muitos casos, a depressão acontece sem nenhum evento deflagrador. A pessoa simplesmente fica deprimida. Muitas vezes, ela diz coisas como: “eu sei que eu devia estar feliz, que não tenho motivos para estar assim”. Outras, acha que não “deveria” estar deprimida já que “tem tanta gente com problemas mais graves que os meus e eu deprimido sem um motivo concreto”. Estes pensamentos acabam por gerar mais culpa e não favorecem para melhora do quadro depressivo.

 

 A depressão é uma DOENÇA, como outra qualquer! Não é “frescura”…

Ainda nos dias atuais existe certo “preconceito” sobre doenças como depressão ou ansiedade, muitas vezes a própria pessoa que está doente reluta em aceitar que algo deste tipo possa estar acontecendo e demora a pedir ajuda.

Depressão é uma doença bem pesquisada, em que identificamos diversas alterações no organismo, apenas não há, por enquanto, um exame laboratorial sistematizado que a qualifique, como acontece na Hipertensão e no Diabetes, por exemplo. No entanto, não dizemos a um diabético ou hipertenso: “não seja fraco, você tem que abaixar a sua pressão/glicemia”! Da mesma forma, este tipo de fala não contribui para o depressivo.

Em qualquer doença o indivíduo tem que tomar medidas além de procurar o médico e tomar remédios. Na depressão ocorre o mesmo, após ser devidamente tratada, a pessoa também deverá buscar recursos pessoais para que os sintomas melhorem e não voltem, mas é importante que primeiramente seja diagnosticada e tratada.

 

Qual o tratamento para depressão?

O tratamento depende de uma avalição onde são identificados diversos fatores que auxiliam na melhor conduta. Em muitos casos é necessário o uso de antidepressivos e indicação de psicoterapia, mas isto não é uma regra. Cada caso tem suas particularidades, por isso é importante procurar o psiquiatra para que ele possa esclarecer e cuidar da forma mais adequada.